Blog da Usiminas

Refletir sobre o presente para construir o futuro da Indústria Brasileira

Hoje celebramos o Dia da Indústria, uma daquelas datas oportunas para se refletir sobre o papel do setor no desenvolvimento do Brasil, tentar entender o presente e sonhar com o futuro que queremos construir.

Nesse dia 25, é importante lembrar a grande contribuição da indústria para que o país, em um passado muito recente, deixasse de ser eminentemente agrário para se inserir no mercado globalizado e se tornar uma das principais economias do mundo. Porém, por ser uma atividade tão atrelada ao desenvolvimento econômico, a indústria começou a perder espaço impactada por um crescimento tímido do país, muito aquém de seus potenciais.

Hoje, um cenário que já era fortemente marcado pela falta de reformas estruturais importantes e de políticas de defesa comercial eficazes, ficou ainda mais complexo com a pandemia de Covid-19. Mas, como comento em artigo publicado hoje na imprensa, é tempo de enfrentarmos com energia esses desafios e começarmos a construir um futuro mais sustentável para o setor, nossas áreas de atuação e para o país.

A Usiminas, como tantas indústrias brasileiras, nasceu de um sonho, venceu enormes obstáculos ao longo de seus quase 60 anos de operações e segue avançando e gerando, cada vez mais, valor para toda sociedade.

 

Artigo

Hoje (25) celebra-se o Dia Nacional da Indústria e o momento não podia ser mais oportuno para se refletir sobre o papel da indústria no desenvolvimento do país, o cenário atual e suas possibilidades futuras. Nosso processo de industrialização, embora recente, permitiu que déssemos um salto em termos de desenvolvimento, passando de um país eminentemente rural para uma das maiores economias do mundo. Hoje, a produção da nossa indústria está inserida de tal forma no dia a dia da sociedade, que se tornou impensável um estilo de vida sem a oferta de produtos fabricados no próprio país. O aço produzido aqui está em carros, plataformas de petróleo e gasodutos, geladeiras, lavadoras de roupas e móveis. Sem contar a infraestrutura que garante o abastecimento de energia elétrica, água, telefonia e a produção de energia solar e eólica.

Mesmo tão presente no cotidiano e ainda que descontados os efeitos catastróficos da pandemia de Covid ainda em curso, assistimos a um cenário preocupante no setor industrial no país. Casos recentes, como a saída de grandes empresas que operavam há décadas no Brasil, são emblemáticos e tornam ainda mais urgente o debate sobre o processo de desindustrialização que estamos testemunhando.

Conforme estudo da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) feito para o Estadão e comentado em artigo do Jornal da USP, mais de cinco mil fábricas encerraram suas atividades em todo o Brasil no ano passado. O mesmo artigo resgata relatório do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), mostrando que a participação do setor no PIB vem caindo a cada ano. Em 2018, a indústria de transformação, por exemplo, respondeu por cerca de 11% do PIB, quase metade dos 20% registrados em 1976. Se nada for feito, há quem estime que esses números se reduzam ainda mais.

Sabemos que a indústria brasileira é muito competitiva intramuros, mas precisamos avançar na solução dos inúmeros entraves que se colocam quando chegamos ao mercado. O crescimento da indústria em geral e do setor siderúrgico em especial está atrelado ao desenvolvimento econômico do país. Questões estruturais que inibem o crescimento, como a Reforma Tributária, os grandes problemas de infraestrutura e o excesso de burocracia, o chamado Custo Brasil e, ainda, a ausência de um sistema de defesa comercial mais fortalecido, precisam ser tratadas com muita energia e urgência.

Mesmo com tantos desafios, mantenho um olhar de otimismo com o futuro. Empresas como a nossa Usiminas, uma indústria que tem mais de 90% de seus negócios focados no atendimento dos clientes internos, seguem acreditando no Brasil, investindo e se preparando para um futuro que pode e deve ser construído desde já.

A Usiminas, como tantas empresas do Brasil, nasceu de um sonho e ao longo de quase 60 anos sempre teve a capacidade de superar grandes desafios. Continuo acreditando firmemente na força e no talento dos nossos profissionais e na inestimável contribuição que a indústria deu e seguirá dando para um futuro mais inclusivo e sustentável no país. É com esse objetivo e com muita determinação que estamos trabalhando na Usiminas e nas indústrias brasileiras.

*Presidente da Usiminas